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domingo, 28 de agosto de 2011

Estação de Acopiara (antiga Lajes e Afonso Pena)

A estação de Acopiara em 1957. Foto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros de 1959

A linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com aE. F. de Sobral para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal. A linha chega ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passa a ser uma das subsidiárias formadoras da RFFSA e em 1975 é absorvida operacionalmente por esta. Em 1996 é arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). Trens de passageiros percorreram a linha Sul supostamente até os anos 1980.

O trem cargueiro da CFN chega ao pátio de Acopiara, em 2002. Foto João Carlos Reis Pinto

A ESTAÇÃO: A estação de Lajes foi inaugurada em 1910 no povoado do mesmo nome, que passou a crescer exatamente por causa da implantação da estação ferroviária. Nos anos 1920, o então já distrito e a estação passaram a se chamar Afonso Pena (em 1922 já tinha esse nome) e, em 30/12/1943, finalmente Acopiara.

No dia 16 de janeiro de 1909, o jornal O Estado de S. Paulo publicava a notícia de que "acha-se concluído no prolongamento da E. F. Baturité o trecho da linha de 27 quilômetros e 200 metros entre as estações de Miguel Calmon e Affonso Penna. A inauguração desse trecho depende apenas de acordo entre o Governo e os arrendatários da mesma estrada". Pelo visto, demorou um ano e meio para chegarem a esse acordo. Mas nota-se que, ao contrário do que é dito em outra fonte Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1959), a estação já se chamava Afonso Pena e não Lajes. Qual será o certo, ou qual será a explicação para a diferença?

A estação em 28/3/2008. Foto Clódio Pereira de Almeida

A estação está abandonada desde março de 2008. (Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Revista Ilustração Brasileira, "2145 Quilômetros pelo Nordeste Brasileiro", 1922; João Carlos Reis Pinto, 2002; Clódio Pereira de Almeida, 2008; O Estado de S. Paulo, 16/1/1909)

 

Fonte:http://cearanobre.blogspot.com

Crédito: Ralph Mennucci Giesbrecht

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Protagonismo do Coronel Chico Guilherme no Desenvolvimento de Acopiara

GuilhermeSenhores leitores, por ocasião do lançamento do Informe gerAção em Acopiara, fui convidado a contribuir com esta coluna Pelos Caminhos da História, com informações que contasse a história do nosso município ou de pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do mesmo. E para fazer justiça com a própria história do nosso município quero começar minha primeira matéria falando da vida daquele que foi dono de Acopiara e quase morreu no anonimato.

Primeiro quero dizer a todos que a fonte onde busquei construir a Biografia do meu avô Chico Guilherme, foi dos textos escritos pelo historiador Dr. Waldir Sombra – casado com Maria Júlia (também neta do homenageado).

Francisco Guilherme Holanda Lima, mais conhecido por Chico Guilherme, nasceu em 15 de março de 1890, no sítio Salva Vidas na cidade de Quixeramobim no Estado do Ceará. Filho de Antonio Guilherme Holanda, um nobre empresário holandês que veio para o Brasil em um navio negreiro e ao aportar no Recife em Pernambuco seguiu para o Ceará e escolheu a cidade de Quixeramobim, onde fixou residência tornando proprietário da Fazenda Salva Vidas, onde conheceu sua esposa a senhora Teodelina Gomes Lima, dessa união nasceram 18 filhos, dentre eles Francisco Guilherme Holanda Lima. (O Vovô Chico Guilherme).

Em 1910, ao completar 20 anos, Chico Guilherme, com o mesmo espírito empreendedor do pai, Chico Guilhermedesembarcou de trem em Lajes, hoje Acopiara, e comprou bastantes terrenos, tempos depois em um leilão na comarca de Iguatu “arrematou todo o terreno chamado Lajes” (ou seja, podemos dizer que Ele foi dono de Acopiara). Em um desses terrenos construiu e abriu a primeira loja de tecidos do então povoado com o nome Casa São Francisco, tornando-se assim o primeiro empresário do local, loja essa que ficava na rua conhecida antigamente como beco do aperto, onde funcionou o Mercantil de seu Alcebíades, hoje Rua Manoel Ferreira Lima, lado sul do atual Mercado Central.

Em 23 de setembro de 1911, Francisco Guilherme Holanda Lima, casou-se com a senhora Almerinda Gurgel Valente, que após o casamento passou a assinar o nome Almerinda Gurgel de Lima, depois ficou conhecida carinhosamente como D. Neném, “Tia Neném” e Vovô Neném.

Almerinda era filha de Henrique Gurgel do Amaral Valente, o “vovô do Rio” e Joana Gondim Valente. Dessa união nasceram 14 filhos: Teodelina, Antônio Guilherme, Pedro Guilherme, Adelaide, José Guilherme, Maria, Rosmarie, Madalena, Terezinha, Luiz Guilherme, Francisco Guilherme (I), Francisco Guilherme (II), Joana (Janete) e Raimundo Guilherme. (este ultimo, meu pai).

Com o espírito empreendedor, Chico Guilherme abriu a primeira indústria de compra, venda e beneficiamento de algodão, a Usina São Francisco, localizava-se na Rua Santo Dumont com Cazuzinha Marques. Que mais tarde se transformou na Exportadora Cearense, vendida ao seu cunhado Francisco Gurgel Valente e depois vendida ao saudoso Chico Sobrinho – Pai do atual Prefeito Antônio Almeida Neto, que se chamava Usina de Algodão e Óleo São Francisco, e hoje, no novo local da referida usina, funciona uma Fabrica de Sabão e a Usina Ric Bil.

Com os negócios prosperando, vovô Chico, tornou-se proprietário de várias fazendas de gado, plantio de algodão e outras lavouras, escolhendo, dentre elas, o sítio Catanduva como ultima morada, e imediatamente como empresário e fazendeiro recebeu o título de Coronel.

No desejo de ver o progresso chegar a esta cidade o então Coronel Chico Guilherme entregou seus terrenos (de mão beijada) com gratuidade e estratégica para que a cidade se desenvolvesse de forma harmoniosa, simpática e acolhedora.

Doou um de seus terrenos para a construção da residência do primeiro Juiz de Direito de Lajes o senhor Quintinho Cunha. Foi o Juiz Quintino Cunha quem sugeriu ao vovô Chico a dar à filha que nascera em 1923, o nome de Rosmarie, hoje viva e aqui presente, mãe da Dra. Rosa – 1ª Dama do Município de Acopiara. Por isso a tia Rosmarie foi escolhida para receber, representando seu pai Francisco Guilherme Holanda Lima, essa tão justa comenda.

Doou o terreno para a construção da Praça da Matriz, da Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Casa Paroquial, do Centro Social, do Cemitério.

Doou ainda os terrenos para a construção dos Correios, da Teleceará, do Clube Social de Acopiara, do Prédio da Associação Comercial, Hoje ONG Raízes, da Praça dos Leões, hoje o Pólo de Lazer.

Doou também o prédio para a construção da Coletoria Municipal, Hoje Secretaria Municipal de Administração Finanças, doou terreno para a construção do Grupo Escolar Pe. João Antônio...

...Doou terrenos ainda para construções de vários prédios comerciais na Rua Marechal Deodoro, dentre outras ruas, e ainda doou terrenos para construções de várias casas residências na Avenida Cazuzinha Marques, onde esta era conhecida, na sua época, como “Rua dos Guilhermes”, pois, era nessa Avenida que ficava a residência oficial do casal, precisamente a mansão de nº. 160, que foi demolida e hoje funciona o Mercantil Albuquerque.

Por fim, meus caros empresários e familiares aqui presentes, Francisco Guilherme Holanda Lima, não exerceu mandato político, TALVEZ SEJA POR ISSO, QUE ATÉ A PRESENTE DATA NÃO TEM NADA EM ACOPIARA COM O NOME DELE! Mas Ele foi a “alma viva” do progresso de Acopiara. Era conservador, mas não reacionário. Fidalgo, cordato, educado, fino, nobre nas atitudes. Dizer que pertencia à nobreza BRASÃO 1é uma injustiça, se tomarmos o conceito europeu e clássico de nobreza. Era burguês, sim, mas não era arrogante nem prepotente. Era manso. Não era culto, mas ético, educado, empreendedor, cidadão informado e atualizado com o mundo que o cercava, digo, até, a frente do seu tempo.

“Impossível é andar em Acopiara sem que não tenha de pisar em terra dada, de mão beijada, à comunidade pelo Coronel Chico Guilherme!” (Waldir Sombra).

Idalmi Pinho Guilherme

Cerimonialista, Professor de Português

Cursando Bacharelado em Teologia com especialização em História.

(Neto mais parecido com Francisco Guilherme Holanda Lima – Segundo os familiares)

"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"